Um poema para o Brasil

Especiais - 04/08/2008

BRASIL - Eu continuo por aqui;
Observo os boeiros sujos,
as bocas de lobo cancerosas.

Os barracos são como doentes
que insistem em sobreviver,
quase sem sangue nas veias.

As paredes esverdeadas e descascadas
são como a própria existência nossa.
Vejo-as como a pele de um septuagenário
que fica áspera com cada esperança perdida,
lágrima caída, passo dado…

Só creio no que meus olhos vêem,
no que meu corpo sente.
Sentir na pele foi minha única maneira de aprender.

Sou aquele barraco que descasca,
aquela árvore debruçada sobre o muro,
sou como um poste brotando do concreto,
aquele boeiro que transborda
carregado de existência.

Fonte

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